Pembrolizumabe: quando o SUS ou o plano de saúde deve custear esse imunoterápico?

O pembrolizumabe (Keytruda®) é um medicamento imunoterápico moderno utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer. Apesar de sua eficácia comprovada em várias indicações, o acesso a esse remédio no Brasil ainda enfrenta limitações — o que tem levado a um alto número de ações judiciais.

Neste artigo, você vai entender quando o SUS e os planos de saúde são obrigados a fornecer o pembrolizumabe e em quais situações é possível garantir o tratamento por meio da Justiça.


O que é o pembrolizumabe e para que serve?

O pembrolizumabe é um imunoterápico — ou seja, um medicamento que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a combater o câncer.

Ele é indicado para diversos tipos de tumores, como:

  • Melanoma
  • Câncer de pulmão
  • Câncer de rim
  • Câncer de endométrio
  • Entre outros

Na prática médica, é comum que o medicamento seja utilizado inclusive em tratamentos off label (fora da bula), quando há evidências científicas de benefício.


Pembrolizumabe no SUS: quando há cobertura?

No Brasil, o pembrolizumabe foi incorporado ao SUS para tratamento de melanoma.

Isso é extremamente relevante do ponto de vista jurídico. Isso porque, uma vez incorporado ao SUS, o medicamento passa a ser reconhecido como parte da política pública de saúde para aquela indicação.

👉 Em outras palavras:
Pacientes com melanoma têm forte fundamento para exigir o fornecimento do medicamento pelo SUS.


E os planos de saúde: são obrigados a cobrir?

Sim — especialmente no caso de melanoma.

De acordo com o art. 10, § 10 da Lei nº 9.656/98, os planos de saúde devem cobrir tratamentos relacionados a doenças incluídas na Classificação Internacional de Doenças (CID), especialmente quando há previsão de cobertura no sistema público (SUS).

🔎 Portanto:

  • Se o pembrolizumabe foi incorporado ao SUS para melanoma
  • As operadoras de plano de saúde também devem custear o tratamento para essa mesma indicação

A negativa, nesses casos, costuma ser considerada abusiva pela Justiça.


O medicamento está no rol da ANS?

O pembrolizumabe também aparece nas Diretrizes de Utilização Técnica (DUT) da RN nº 465/2021 da ANS, com previsão para:

  • Câncer de rim
  • Câncer de endométrio

Porém, essas coberturas costumam ser limitadas a critérios específicos definidos pela ANS.


E quando o tratamento é negado?

Essa é a realidade de muitos pacientes.

Mesmo com prescrição médica, é comum que:

  • O SUS negue fornecimento fora das indicações incorporadas
  • Planos de saúde neguem cobertura alegando ausência no rol ou uso off label

👉 É justamente por isso que o pembrolizumabe é considerado um dos medicamentos mais judicializados no Brasil.


É possível conseguir o pembrolizumabe na Justiça?

Sim.

A Justiça brasileira tem reconhecido, de forma frequente, o direito dos pacientes ao acesso ao medicamento, especialmente quando:

  • prescrição médica fundamentada
  • Existe evidência científica de eficácia
  • Não há alternativa terapêutica eficaz disponível
  • O paciente não tem condições de arcar com o custo

📌 Mesmo nos casos em que:

  • O tratamento não está no SUS
  • Não consta no rol da ANS
  • Ou é prescrito de forma off label

Ainda assim, é possível obter decisão favorável judicialmente.


Por que o pembrolizumabe é tão judicializado?

O alto número de ações judiciais envolvendo esse medicamento ocorre por três principais motivos:

  1. Alto custo do tratamento
  2. Amplitude de indicações médicas
  3. Limitações administrativas do SUS e da ANS

Ou seja, há um descompasso entre o que a medicina já utiliza e o que os sistemas de saúde efetivamente cobrem.


Conclusão

O pembrolizumabe representa um avanço importante no tratamento do câncer, mas o acesso ainda depende, muitas vezes, de atuação jurídica.

  • Para melanoma, há forte respaldo legal para custeio pelo SUS e planos de saúde
  • Para outras indicações, inclusive off label, a via judicial é frequentemente o caminho mais eficaz

Fale com a advogada especialista

Se você ou um familiar recebeu indicação médica de pembrolizumabe e teve o tratamento negado, é fundamental buscar orientação especializada o quanto antes.

👉 Entre em contato com a advogada especialista em Direito da Saúde pelo WhatsApp indicado no site e entenda quais são os seus direitos e as medidas possíveis no seu caso.

O acesso ao tratamento pode depender de uma ação rápida.

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